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O POVO: O TRIO DE ICAPUÍ

Passeio de bugue em
Ponta Grossa(Foto: EDIMAR SOARES)
Passeio de bugue em Ponta Grossa(Foto: EDIMAR SOARES)

Do alto, ainda entrando na vila de pescadores, já se vêem as primeiras falésias avermelhadas e os muitos coqueiros que se misturam às casas. Uma paisagem para facilmente encher (e encantar) os olhos. Continuar a descida da ladeira da rua principal de Redonda, uma das delícias do município de Icapuí, significa aproximar-se do mar. Ele está logo ali, atrás dos poucos restaurantes e barracas que se instalam quase à beira-mar.

Sentar na sombra de uma barraca - apenas sentindo o sopro da brisa - e observar o vai-e-vem dos nativos é uma boa forma de se inserir na calmaria do lugar. Até o mar da localidade parece se movimentar em um ritmo diferente. Quase sem ondas, seu sutil balançado mantém imóveis as jangadas e os paquetes ancorados por ali, quase estacionados na areia.

Com pouca movimentação turística, Redonda é um recanto de tranqüilidade que além de linda, tem um cuidado com a preservação ambiental pouco visto nas praias cearenses. Na vizinhança, estão Ponta Grossa e Peroba. Juntas, compõem o principal trio de praias do município. Nelas, os encantos vão além da paisagem e chegam às histórias da comunidade local. Os moradores não se incomodam em abrir as portas para os visitantes, fazendo de seus quintais um possível acampamento e da sala uma pousada improvisada.

Um dos moradores cuja história se mistura à de Icapuí é Josué Crispim. Nascido no município, mais precisamente na praia de Ponta Grossa, o ex-pescador divide o sobrenome com a maioria dos habitantes do povoado. O motivo é a descendência holandesa que deu àqueles nativos olhos azuis e cabelos para lá de aloirados. Josué é dali um dos que mais se interessa pela memória desses holandeses e também para o que havia antes deles.

Ao ganhar do avô uma garrafa holandesa, encontrada naquele entorno, Josué começou a atentar para a história dali. Veio então a descoberta dos sítios arqueológicos que existem na região e, com ela os muitos instrumentos que remetem a tempos bem remotos. Quando se apaixonou pelas antiguidades, Josué deixou a pesca em segundo plano e se dedicou a pesquisar semelhanças das peças encontradas em Icapuí com a história holandesa.

Recentemente, um grupo de pescadores levou à sua casa uma âncora encontrada no mar. Com sinais de ferrugem, a âncora assemelha-se a uma outra da Dinamarca - encontrada por Josué na Internet - que data de 1817. "Tinha material suficiente para abrir um museu", conta. O interesse do ex-pescador o levou a mergulhar em livros e se aproximar de acadêmicos. Hoje, com o apoio dos professores da Universidade Federal do Ceará (UFC), Josué sonha com projetos que tragam à tona a memória de Icapuí.

http://www.opovo.com.br/opovo/turismo/777351.html

publicada em: 18/04/2008  

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